Terça-feira, 21 de Janeiro de 2014
21.01.2014 - Por Fora de Série, às 16:38

 

"São seis barrilinhos d’ovos moles de Aveiro. É um doce muito ‘chic’”, diz Eça de Queiroz, em "Os Maias". Jô Soares também é um fã confesso, tanto que os homenageia no livro “As Esganadas”, um ‘bestseller’ no Brasil e recentemente lançado em Portugal. Na Casa dos Ovos Moles em Lisboa há-os em hóstia e na barrica. Mas existem outras tentações como o Pão-de-ló de Ovar, o Pastel de Tentúgal e o Pastel de Vouzela, tudo recheado com doce de ovos. O projecto abriu no Mercado de Campo de Ourique, em Lisboa, e tem a certificação da Associação de Produtores de Ovos Moles de Aveiro.

A história engalanada desta iguaria conta que uma freira do Convento de Jesus dada aos pecados da gula, terá sido castigada pela madre superiora com um jejum forçado. Incapaz de resistir aos doces, criou uma mistura de gemas de ovo e muito açúcar que escondeu na massa das hóstias. “Milagre!”, ouviu-se no convento no dia seguinte, doce tão perfeito só poderia ter sido enviado por Deus. A história mais provável diz que o doce de ovos tem origem na filosofia de aproveitamento dos conventos. Na época, era costume as pessoas oferecerem galinhas às religiosas. As claras eram aquecidas e utilizadas para engomar as partes mais difíceis da roupa, como as golas. Sobravam as gemas, que tinham um prazo de validade muito curto. Uma freira do Convento de Jesus, em Aveiro, lembrou-se de juntar açúcar e percebeu que quanto mais juntasse mais as gemas aguentavam sem se estragar e o resultado era um doce muito bom. Certo, certo, é que o doce de ovos-moles existe há cerca de 500 anos.

A Casa dos Ovos Moles em Lisboa está aberta de quinta a sábado, das 10h00 até à 1h00, e nos restantes dias, até 23h00. CSB