
A Profession Bottier, marca de luxo que já calçou personalidades como Nicolas Sarkozy ou Michael Bublé, aguarda para os próximos dias os resultados do concurso para calçar a Selecção Nacional de futebol no Mundial a realizar no Brasil. Como adianta Ruben Avelar, responsável da empresa, o mercado português "não é estratégico”. “Temos dois clientes".
A Europa é o mercado de referência, que garante a produção de 125 mil pares de sapatos e uma facturação de seis milhões de euros.
Esta foi uma das empresas que o ministro da Economia, António Pires de Lima, visitou ontem na MICAM (feira internacional de calçado de Milão, Itália), num percurso que visou ver um sector "que é um exemplo e tem vindo a crescer a taxas de 10% ao ano". "Prevemos uma trajectória de crescimento nos próximos anos", afirmou. Pires de Lima iniciou o seu périplo no ‘stand' da Cubanas, onde não deixou de destacar o carácter "revolucionário" da marca. Política à parte, a marca portuguesa, que quer transmitir um conceito de alegria, está já a vender para 15 países e com objectivo de alargar horizontes. A facturação é de 12 milhões.
Já na Helsar, o ministro descobriu que a empresa calçou a mãe e a irmã de Kate Middleton no casamento com o príncipe William de Inglaterra. "Os vossos sapatos nunca mais vão ser esquecidos", salientou. A Helsar também garantiu uma encomenda de 45 pares de sapatos para o casamento de Elton John. E tudo porque tem uma parceria com uma estilista inglesa, que lhe encomenda sempre os sapatos por uma questão de qualidade. A cantora Shakira guarda também um par de sapatos da Helsar no seu ‘closet'.

O empresário Carlos Santos, que detém a marca homónima de luxo, recebeu o ministro num tom crítico. Afinal, o empresário está a compensar monetariamente os seus trabalhadores dos cortes salariais derivados do aumento de impostos para os manter motivados. Porém, Pires de Lima realçou a qualidade e o ‘design' dos sapatos, questionando se não eram topo de gama. A Carlos Santos não divulga vendas, mas toda a produção destina-se aos mercados externos, contando apenas com dois clientes em Portugal.
O sangue novo na indústria de calçado portuguesa tem alavancado também o sector, que exporta 95% dos 1,7 mil milhões de vendas geradas no exterior. Exemplo disso é a Paradigma, empresa que desde que está a ser gerida por Paulo Ferreira decidiu abordar os mercados externos e mais recentemente lançar uma marca própria. Mantém a produção para terceiros, mas a marca Paradigma está a ganhar espaço. Os mercados externos valem 90% dos 5,5 milhões facturados em 2013 e a marca própria pesou 5%. "É um resultado muito positivo tendo em conta que foi o primeiro ano", realça. O objectivo é que dentro de cinco anos pese 30% nas vendas. Sónia Santos Pereira, em Milão a convite da APICCAPS