
Começa hoje em Lisboa mais uma edição do Portugal Fashion, um evento já histórico na moda portuguesa e que mais recentemente assumiu a estratégia de promover jovens criadores portugueses além-fronteiras.
Com um orçamento anual de um milhão de euros para a internacionalização da moda nacional, o Portugal Fashion está a colocar nomes de jovens ‘designers', como Susana Bettencourt, Diogo Miranda ou Daniela Barros, nas bocas do mundo. E, em simultâneo, a promover as exportações do sector do têxtil e vestuário.
Susana Bettencourt (foto em baixo) já vestiu a Lady Gaga na tour "Born this way", Sarah Harding no Red Carpet Fashion Awards e a cantora inglesa Tatiana no ‘videoclip’ "Been a fool". Foram estas "peças-espectáculo que deram força para começar”, conta ao Diário Económico. “Sabia que era possível o meu nome espalhar-se". Com o apoio da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), Susana Bettencourt já marcou presença em feiras em Paris, Londres e Copenhaga. No ano passado, registou vendas de 17 mil euros, sendo que mais de 95% foram provenientes de clientes estrangeiros (Barcelona, Taiwan, Itália, Chipre). A ‘designer’, cuja paixão são as malhas, entrega o fabrico das suas peças a indústrias como a Inarbel, LMA ou Malhas Vaps. "É uma aposta das empresas. Acreditam que, mais cedo ou mais tarde, vamos fazer os volumes que eles exigem", explica. Há dias, partiu para o Canadá para participar na Vancouver Fashion Week a convite da organização. Encontraram-na, conta, através "de um ‘website' nos EUA e o interesse é genuíno, as coisas vão-se espalhando".

Diogo Miranda (em baixo) abandonou a empresa onde desenhava para as insígnias do grupo Inditex e apostou em dedicar-se a 100% à sua marca. Com a ajuda do Portugal Fashion, investiu no ano passado na internacionalização das suas colecções. Esteve em feiras em Paris, Berlim e Londres e ganhou o Médio Oriente. “Foi muito significativo, são duas encomendas por ano", realça. Diogo Miranda constitui empresa, tem uma loja em Felgueiras e no seu atelier já trabalham sete pessoas. A facturação ronda os 100 mil euros.

Já Daniela Barros (em baixo) viu o seu nome consagrado num salão de moda em Paris, onde ganhou o prémio da melhor colecção Primavera/Verão para mulher. Mas foi com o projecto “Bloom” – uma iniciativa do Portugal Fashion/ANJE para dar visibilidade nas ‘passerelles' aos jovens criadores, apoiar na constituição de empresas e na internacionalização das suas marcas – que Daniela Barros deu o pontapé de saída para o seu negócio. Vende já para o Canadá, Reino Unido, Japão, Austrália e está prestes a lançar a loja ‘on-line'. A confecção está distribuída por quatro unidades fabris portuguesas. Nestes movimentos de internacionalização, ganhou um cliente japonês, para o qual está a desenvolver duas marcas de roupa.

Carla Pontes alcançou o seu espaço na moda portuguesa através do convite para participar no Portugal Fashion. Filha de empresários têxteis, foi desafiada pela ANJE a internacionalizar o seu nome. Esteve em Londres, Copenhaga e Paris. "Na primeira feira, fiz logo três encomendas, tudo numa escala ainda muito pequena, mas já dá para acreditar", garante.
A dar os primeiros passos ainda está João Melo Costa. Foi bem recebido em Paris e agora prepara-se para ganhar mercados. "Este é o ano da internacionalização. O projecto para este ano é esse, introduzir a marca e comercializar." Para já, ganhou um cliente nos EUA para a colecção de calçado, que desenha para acompanhar as peças de roupa.
A 34ª edição do Portugal Fashion sai de Lisboa em direcção ao Porto, onde permanece até sábado. Haverá lugar para 28 desfiles, de consagrados como Anabela Baldaque, Fátima Lopes ou Luís Buchinho (foto em baixo), e de emergentes criadores como Susana Bettencourt, Diogo Miranda ou Hugo Costa. A vê-los estarão mais de uma centena de convidados estrangeiros, entre jornalistas da especialidade e agentes de compras. A realização desta edição implica um investimento de 450 mil euros. Sónia Santos Pereira
