Sexta-feira, 2 de Maio de 2014
02.05.2014 - Por Fora de Série, às 08:30
Fotografia de Paula Nunes

 

Foi um Dieter Koschina cansado, mas feliz, aquele que encontrámos há dois dias em Lisboa. Tinha acabado de aterrar, literalmente. Acabado de regressar de Londres onde, na noite de segunda-feira, recebeu a excelente notícia de que o restaurante do Vila Joya, que dirige há 22 anos, figura agora no 22º lugar da lista dos “The World's 50 Best Restaurants”. No ano passado a posição era a 37ª e, há dois anos, a 45ª. Não podia estar mais feliz. Feliz e cansado. Mas, mesmo assim, ainda arranjou um tempinho para falar connosco.

Foi uma surpresa? “Foi uma surpresa, claro”, concorda, salientando a importância que para o Vila Joya tem esta escalada de 15 posições no ranking dos prémios organizados pela revista britânica “Restaurant” e votados por mais de 900 especialistas de todo o mundo. A esta importância não é alheio o enorme peso do marketing que rodeia hoje o evento destes “50 Best”. No fundo, “o marketing é como o ‘Red Bull’”, frisa o ‘chef’ austríaco, e no caso concreto do Vila Joya, as ‘asas’ que a bebida promete traduzem-se numa maior visibilidade e, com ela, em mais clientes. Para Dieter Koschina esta é, sem dúvida, a coisa mais importante de todas: “Os clientes são os meus prémios”.

 

 

Isto vem mudar alguma coisa? “Não! Não muda nada. O sistema é o mesmo há 22 anos, porquê mudar?” Realmente, em equipa vencedora não se mexe e o sucesso do Vila Joya fala por si há muito tempo. Afinal, foi durante anos o único restaurante português com duas estrelas Michelin. Qual é o segredo? “É muito simples: praia, 365 dias de sol, um terraço espectacular, bom ambiente, um bom pessoal na cozinha, um bom serviço, produto fresco e de qualidade, a qualidade do peixe e do marisco... que mais é preciso?” Criatividade? “Sim, é claro. Mas eu só tenho duas mãos, preciso sempre da minha equipa”. Uma equipa de cerca de 20 pessoas que, como diz o ‘chef’, “no próximo mês já não será suficiente”.

 

 

A forma como Dieter Koschina chegou ao Vila Joya também não deixa de ser curiosa. “Tive muita sorte”, confessa, porque “para tudo na vida é preciso muita sorte”. E lá vai contando: “Trabalhava em Viena, como segundo ‘chef’, e um dia, atendi o telefone da cozinha...” Do outro lado falava Claudia Jung, a fundadora do Vila Joya. Precisava de um ‘chef’ com urgência para o restaurante, mas não era com Koschina que queria falar. A história, no entanto, não a vamos contar aqui e passamos a palavra a Joy Jung – filha de Claudia e actual responsável pelo hotel – que a conta melhor do que nós na entrevista que sai hoje na revista “Fora de Série”.

O certo é que Dieter Koschina lá veio para o Algarve, há 22 anos, e não se arrepende nem um bocadinho. “O Vila Joya é, para mim, uma casa espectacular com um ambiente único”, garante.  Quanto às expectativas do restaurante que dirige resta perguntar se, no próximo ano, podemos esperar que figure no ‘top 10’ da lista dos 50 melhores restaurantes do mundo. “Não!” É a resposta peremptória. E lá volta a falar na poderosa máquina de marketing que gira em torno do evento. “Isto não é como o sistema do ‘Guia Michelin’. É outra coisa”, explica. E acrescenta: “Para mim já é muito bom estar entre os 50 primeiros”. IQ 

 

 

 

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