Terça-feira, 11 de Novembro de 2014
11.11.2014 - Por Fora de Série, às 17:00

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A Nespresso acaba de lançar, pela segunda vez, um Grand Cru Special Reserve, o Maragogype. Este era historicamente um grão “mal amado”, com uma alta qualidade, mas pouco apetecível, por não ser economicamente rentável. A marca italiana criou agora uma mistura de Maragogype, com grãos de café que foi buscar a quatro ‘terroirs’ diferentes na América do Central e do Sul – México, Nicarágua, Colômbia e Guatemala. E porque um café especial como este é digno de uma degustação ímpar, a Nespresso associou-se à prestigiada marca de copos Riedel, para lançar uma pequena colecção de dois copos de vidro, a Reveal Collection. Assim como já se faz com o vinho, a marca está a tentar criar uma experiência elevada de degustação de café, de forma a mudar a maneira como as pessoas olham para esta bebida.

  

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 Para fazer a apresentação do novo Grand Cru, a Nespresso convidou Paulo Basso, que em 2013 ganhou o título de “Melhor Sommelier do Mundo”. Com as caves da Graham’s, em Vila Nova de Gaia, como cenário, este fez uma degustação do café adaptando alguns dos gestos característicos da prova do vinho, e apontou para o facto de que o copo funciona “como um altifalante”. Neste caso, o copo Mild, com uma maior abertura, facilita a entrada de ar e liberta os aromas, sendo apropriado para cafés mais suaves. Por outro lado, o copo Intense é indicado a aromas mais intensos, que não precisam de tanta ajuda. Natural de Itália, onde a cultura de café é importante, Paolo Basso elogia a forma como a Nespresso apresenta o café. Este explica que o sistema das cápsulas simplifica todo o processo da produção do café em casa, deixando mais tempo para o apreciar, “que é o mais importante”. Falou, ainda, com a Fora de Série, acerca dos vinhos portugueses e da sua imagem lá fora.

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O que é que significa ser “Melhor Sommelier do Mundo”?

É o resultado de 18 anos de trabalho árduo, da minha curiosidade, que me levou a querer saber mais sobre vinho.

 Que idade tinha quando começou a apreciar vinho?

Comecei quando estava na escola de hotelaria, com 18 anos. Nessa altura estava mais dedicado aos prazeres de ser jovem. Era fascinado por desporto. Quando estava nos meus 30, é que redescobri a minha paixão por vinho e a persegui de uma forma mais profunda.

A competição é uma parte importante do seu trabalho?

Quando eu era jovem era um ‘sportsman’. A competição faz parte da minha vida. Quando descobri que mesmo no conhecimento do vinho era possível competir, decidi enveredar por esse caminho.

 O que é que conhece sobre vinhos portugueses?

Já visitei Portugal quatro ou cinco vezes e provei muitos vinhos portugueses durante o meu treino para as competições. Claro que não o conheço tão bem como o vinho Italiano, francês ou suíço, mas penso que Portugal é muito semelhante à Itália em termos da tendência do vinho. Assim como a Itália, nos últimos 20 anos Portugal aumentou bastante a qualidade do seu vinho. Lembro-me de que há 20 anos atrás só falávamos de vinho do Porto, Douro e Madeira. Hoje também falamos sobre vinhos do Alentejo, Dão, entre outros. Há muito esforço que tem sido feito.

 Qual é a imagem que têm lá fora?

A percepção no estrangeiro é de que os vinhos são fortes e poderosos, talvez com um pouco de álcool a mais. Hoje os consumidores procuram vinhos com 12.5% a 13% de volume de álcool, no máximo. Quando o consumidor vê numa garrafa de vinho 14% ou 14.5%, fica um pouco desiludido.

 Sei que trabalha no sentido de promover o vinho da Suíça a nível internacional. Qual é a estratégia que Portugal deve seguir para fazer o mesmo?

Aprendi muito com os franceses. Eles dizem que é importante fazer algo, mas é ainda mais importante fazer com que as pessoas saibam que o estamos a fazer. Hoje vivemos numa era de comunicação e as pessoas são agressivas nesse sentido.

 Qual a mensagem que deve ser transmitida?

Têm de comunicar a história, a tradição e o país lindo, com sol e proximidade do mar que têm, antes de começar a falar sobre vinho.

 

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 Se pudesse escolher qualquer vinho do Porto, qual seria?

Não quero escolher um ‘vintage’, porque teria de esperar muito tempo. Escolheria um LBV, porque está pronto a ser consumido.

Como é que o beberia?

De forma que fosse consumido dos 12 aos 14 graus, não mais. É um vinho muito complexo. Preferia sem nada a acompanhar, mas se tivesse de escolher, tería muitas opções, como, por exemplo, o Foie Gras que provámos hoje ou uma carne típica. É do tipo de vinhos que sou capaz de beber sozinho, no meu terraço, a pensar sobre o futuro ou simplesmente a apreciar o momento. O próprio vinho faz-me companhia.

 Que concelho é que pode dar a alguém se esteja a iniciar como apreciador de vinho?

Evitar qualquer ideia pré-fabricada que tenha na cabeça e fazer ‘reset’, de forma a contemplar o vinho com uma mente aberta. É o mais importante. Penso que as pessoas de países latinos têm algum preconceito e não estão preparados para compreender vinhos de outras regiões. Os ingleses, que não são grandes produtores de vinho, estão mais abertos a provar vinhos de vários sítios. Para nós, o melhor vinho é sempre, absolutamente, o “nosso vinho” e depois há os outros. CLM