Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2013
16.12.2013 - Por Fora de Série, às 17:07
 

Em época de festa, é produto obrigatório. Mas, o que separa o champanhe do vinho espumante? E como se faz um bom champanhe?
Aproveitámos uma visita da equipa da Laurent Perrier a Portugal para falar com o ‘chef de cave’, Michel Fauconnet, e ficámos a saber que as três castas de uvas utilizadas – Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier –, da região francesa de Champagne, são o grande segredo, aliado ao tempo de maturação na adega.
Michel Fauconnet trabalha na Laurent Perrier há 40 anos, desde 1973, é o terceiro ‘chef de cave’ da casa, mas ainda trabalhou com os seus dois antecessores. É, portanto, o homem ideal para falar deste néctar quase sempre associado a festa e a celebração. JM

 

 

Ouvimos dizer que as celebridades nos Óscares bebem Laurent Perrier. É verdade?

Sim, é verdade. Durante muitos anos tivemos um acordo especial com a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelos Óscares, em que oferecíamos um cabaz de Grand Siècle Prestige Cuvée, que se encontra à venda em Portugal.

 

Como se faz um bom champanhe? É muito diferente do vinho? Quais são os segredos?

A produção do champanhe é diferente do vinho. A grande diferença é que o champanhe é um vinho gasoso que resulta da combinação de diferentes regiões, que envolve 327 localidades e três castas, enquanto o vinho usa apenas um tipo de uva. Compete ao ‘celler master’ seleccionar as uvas, as localidades e o teor gasoso. Outra diferença é o tempo de descanso das garrafas: três anos e meio e dez anos, no caso do Grand Siècle. Ou seja, permanecem na adega da Laurent Perrier até serem exportados ou enviados directamente aos clientes. No caso do vinho, muitas vezes, é vendido no ano posterior à produção e quando chega ao cliente, este pode guardá-lo um ou mais anos. Quem trabalha com champanhe faz o processo inverso: guarda as garrafas durante anos e só depois é que as vende.

 

Porquê?

É a regra, até porque o champanhe tem um certificado de origem, logo, regras bastantes rígidas. A magia do champanhe é quando se torna gasoso e isso acontece durante a segunda maturação, em que as garrafas têm de ficar em descanso na adega pelo menos um ano – são as regras – antes de poderem ser comercializadas. Este ano, as regras mudaram. Agora são 15 meses, mas a maior parte dos produtores de champanhe guarda as garrafas muito mais tempo, porque para nós a qualidade é muito importante. Na maior parte dos casos, ficam guardadas durante 36 meses, no mínimo. Muito importante, como já referi, é o facto de usamos três castas: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier e temos de guardar as garrafas por períodos superiores a 12 meses. Habitualmente, usamos muito a casta Chardonnay, que exige um envelhecimento especialmente longo, o que também justifica esse “descanso” prolongado.

 

Então o segredo da Laurent Perrier é esse descanso, devido à utilização de muitas quantidades de Chardonnay?

Cada fabricante tem o seu estilo e filosofia. Na Laurent Perrier procuramos frescura, elegância e sofisticação. Um champanhe fácil de beber, agradável e leve. A frescura é fundamental para contrabalançar a acidez – uma especificidade do champanhe. Isso é fundamental. Daí usarmos muito Chardonnay, que lhe confere um toque de frescura. É uma bebida que temos prazer em beber e que está associada a celebrações. Não procuramos nada excessivamente estruturado ou pesado. O champanhe começa por ser um vinho, ou não fossem uvas a sua base, mas nunca descuramos o facto de que estamos a criar um vinho gasoso relativamente complexo, que obedece à trilogia “frescura, elegância e sofisticação”. O ‘savoir-faire’ da casa é um dos seus grandes segredos, assim como o contributo das 327 localidades envolvidas e o génio da combinação das castas. Tal como nas casas de alta-costura, todos os anos temos de criar uma “colecção” diferente, neste caso, um champanhe distinto dos anteriores.

 

Enquanto especialista em champanhe, qual é o seu preferido?

Adoro o Laurent Perrier Brut, precisamente pela sua frescura, elegância e sofisticação. É um dos nossos cartões-de-visita e a identidade da Laurent Perrier. Ocupa cerca de 70% das nossas adegas e envolve diferentes elementos. É uma bebida versátil e com carácter. Se quiser algo mais complexo, ‘premium’ e extremamente elegante, no qual apenas usamos duas castas, temos o chamado Grand Cru. Nunca produzimos mais de 10 Grand Cru e, claro, são feitos com as melhores castas. Há champanhes ‘vintage’ e ‘non vintage’, mas, por vezes, há anos excelentes e os grandes produtores de champanhe declaram o ano “X” como ‘vintage’. Muitos deles produzem em cada 10 anos entre 27 a 29 ‘vintages’, enquanto nós não fazemos mais do que 4 ou 5 ‘vintages’ no mesmo período de tempo. O Grand Siècle Prestige Cuvée, por exemplo, é uma combinação dos nossos melhores ‘vintages’ – é uma das filosofias da casa. Há anos fantásticos, como 1976, 1990 e 2002. É preciso notar que cada garrafa leva 1,5 kgs de uvas, a 7,5 euros o quilo.

 

E champanhe deve acompanhar com o quê?

Produzimos uma gama de champanhe que tem a particularidade de combinar com todos os pratos que possam ser servidos durante uma refeição: do peixe e marisco à sobremesa. Temos sete champanhes, portanto, há para todos os tipos. O Brut, por exemplo, acompanha muito bem com ostras, marisco no geral e peixe. O Rosé fica melhor com sobremesas, fruta, mas também com pratos de caça. E depois, depende também do gosto de cada pessoa.

 

Tags: