Sexta-feira, 29 de Novembro de 2013
29.11.2013 - Por Fora de Série, às 12:43

 

Foi no Hotel Altis da Rua Castilho (em cima), em Lisboa, que o Partido Socialista já comemorou muitas vitórias e lamentou muitas derrotas. Foi deste hotel que o FC Porto saiu muitas vezes para ganhar jogos, campeonatos e taças. Foi neste hotel que Francisco Sá Carneiro comemorou a vitória da Aliança Democrática e foi daqui que saiu para morrer no acidente de aviação.
São 40 anos de história de um hotel que pertence à família Martins mas que também faz parte do património da cidade de Lisboa. Raúl Martins, administrador do Grupo Altis, confessa em entrevista ao programa "Grandes Negócios", do Etv, que "as paredes do hotel não falam e ainda bem! Hoje em dia, os partidos políticos disputam muito o Altis porque dá sorte".
A abertura do hotel, em Novembro de 1973 – agora remodelado e sob o nome de Altis Grand Hotel –, aconteceu por mero sentido de oportunidade. Fernando Martins (em baixo), fundador do grupo e falecido em meados desde ano, comprou o terreno em 1967 para construir um edifício de escritórios mas, na altura, o Estado português tinha uma linha de crédito com taxa fixa que disponibilizava até 70% do investimento para quem investisse na construção de hotéis em Lisboa.

 


Passados 40 anos, o grupo conta agora com seis unidades, uma de quatro estrelas e as restantes de cinco estrelas, todas na cidade de Lisboa. Para 2014, está já projectada uma ampliação em 40 quartos para o Altis Avenida (em baixo).
O crescimento do grupo tem sido mais lento do que o desejo do próprio Fernando Martins e do filho Raúl, que sofreram as consequências da actuação política das últimas décadas. "Nós tínhamos um projecto para um hotel no Porto e tivemos 20 anos para o concretizar sem o ser, porque houve um partido político que nos convidou para fazer um hotel. Nós comprámos o terreno, aprovou-nos o anteprojecto, e o partido político que ganhou as eleições seguintes anulou o projecto. Isto é prática corrente, infelizmente, em Portugal e as PME sofrem muito com isso", sublinhou o administrador.

 


Mas o futuro do Grupo Altis e da hotelaria em geral já não passa por construção de hotéis mas sim pela exploração das unidades. Raúl Martins admite: "O próximo objectivo é crescer em gestão e não em propriedade. Temos estado activamente à procura de unidades que se enquadrem no nosso perfil e na nossa experiência". As propostas que chegam às mãos do conselho de administração são mais de ‘resorts', o que não se enquadra nos hotéis ‘corporate' que são a especialidade do grupo. 
Brasil e Angola são os destinos preferidos por Raúl Martins, em particular nas cidades de negócios, como São Paulo (em baixo), Brasília e Luanda, pois "é onde há mais turistas de negócios e mais portugueses". Estes destinos estão até acima de oportunidades em cidades portuguesas, como Lisboa ou Porto. 

 


A entrada no modelo de negócio da gestão hoteleira é para cumprir no espaço de três anos, e para os próximos cinco, a meta "é duplicar a facturação", o que não quer dizer necessariamente ter o dobro das unidades. Marina Conceição