
O calendário mais famoso do mundo faz meio século de existência. Publicado pela primeira vez em 1964, o aniversário do Calendário Pirelli está a ser comemorado em Milão com uma série de iniciativas, que vão de uma exposição fotográfica dos trabalhos de Peter Lindbergh (autor das “The Cal” de 1996 e 2002) e de Patrick Demarchelier (responsável pelas edições de 2005 e 2008), com modelos que representam a filosofia do Calendário – Alessandra Ambrosio, Helena Christensen, Isabeli Fontana, Miranda Kerr, Karolina Kurkova e Alek Wek – até a uma exposição retrospectiva no Hangar Bicocca, entre outras. E surpresa das surpresas, ao invés da publicação de um “Calendário 2014”, é feita uma revelação inédita: o “The Cal” de 1986 realizado por Helmut Newton. Uma relíquia guardada até ao momento no arquivo histórico da empresa, que vê a luz do dia graças a uma feliz coincidência: os dias da semana coincidem de Janeiro a Dezembro, nos anos de 2014 e 1986.

A história do mais esperado calendário começa em 1964, quando os ingleses da Pirelli UK Ltd, na procura de uma estratégia de ‘marketing’ para superar a concorrência de outras empresas britânicas de pneus, desafiam o inglês Robert Freeman, fotógrafo oficial dos Beatles, a criar algo inovador. O resultado surge como um produto editorial inédito, cuja produção artística rapidamente alcança o campo da moda e do ‘glamour’.

Nomes como Naomi Campbell (com apenas 16 anos), Cindy Crawford, Helena Christensen, Kate Moss, Christie Turlington, Carré Otis, Eva Herzigova, Nastassja Kinsky, Inés Sastre, Monica Bellucci (primeira modelo italiana), Robert Mitchum, John Malkovich, Kris Kristofferson, B.B.King e Bono; Alek Wek e Laetitia Casta, Sophia Loren, Penelope Cruz, Hilary Swank, Naomi Watts; fotografadas por aclamados como Herb Ritts, Annie Leibovitz, Mario Testino, Bruce Weber, Steve McCurry e Nick Knight, entre outros, fazem parte da história da publicação.

Em meados dos anos oitenta, a Pirelli Itália, percebe o potencial do “The Cal” e decide dedicar-se-lhe. E é assim que começa uma guerra pelo protagonismo. Dois projectos que se desenvolvem em simultâneo, ignorando-se. De um lado, os ingleses que desde 1984 trabalham com Martin Walsh como director artístico – enfrentado tabus, nomeadamente o nu explícito –, surpreendem com a escolha do fotógrafo americano Bert Stern, que imortalizou Marylin Monroe vestida com um véu e outras estrelas como Elizabeth Taylor e Audrey Hepburn. Do outro, a Pirelli Itália contrata Helmut Newton, já na altura uma celebridade – são icónicas as fotos a preto e branco de nús femininos. Acaba por ser escolhido o trabalho de Stern, para o ano de 1986, depois de Newton ter de abandonar o ‘set’ por causa de problemas familiares. A fotografia fica entregue a Xavier Alloncle, o assistente, que faz as fotos com a paternidade artística de Newton. O seu calendário é arquivado.
O “The Cal” de 1986, da autoria de Helmut Newton, agora revelado, segue o projecto original, incluindo o ‘layout’, e é composto por 12 fotos a preto e branco acompanhadas por 29 imagens dos ‘backstages’. CSB