“Não deitamos nada fora... pode sempre dar jeito”. O princípio é este mesmo: nada se perde, tudo se transforma em alguma coisa e, foi sob este lema que, em 2010, nasceu o atelier ‘petit h’ da Hermès. Aqui, artistas e artesãos trabalham lado a lado para dar nova vida a tudo e a nada e ao que quer que lhes vá parar às mãos, seja uma peça com defeito, um fecho riscado, restos de uma colecção antiga, um protótipo, um recorte de pele ou o que quer que seja. E o espaço parece uma verdadeira caverna de Ali Babá, cheia de tesouros e pequenas maravilhas.
Marroquinaria, porcelana ou cristal, ourivesaria, carpintaria ou costura, sejam quais forem as valências destes homens e mulheres, aqui todos os esforços se aliam em prol da criação... e os resultados são espantosos. De repente, uma concha de molho perdida transforma-se num pequeno candeeiro de mesa, ou talvez num pendente e duas garrafas desirmanadas unem-se para formar uma sofisticada ampulheta que poderá, talvez, servir para medir o tempo para um artesão e a sua peça. Tudo é possível.
Sem tema nem estação definida, todos os objectos aqui criados contam uma história que fala de oportunidade, de espírito criativo, mas também de uma partilha de talentos regida, como uma orquestra, sob a batuta de Pascale Maussard, a directora artística do atelier, que pertence também à sexta geração da família Hermès. São objectos que podem ser apreciados (e até comprados) na loja da Hermès da rue de Sèvres, em Paris, onde estão em exposição permanente. São objectos que suscitam a curiosidade do mundo, o suficiente para serem tema escolhido de mostras efémeras, como aquela que aconteceu em Singapura no passado mês de Julho. Como aquela que irá acontecer em Londres, no próximo mês de Dezembro. IQ