Quinta-feira, 30 de Maio de 2013
30.05.2013 - Por Fora de Série, às 16:43
Paulo Figueiredo
 

A abertura oficial da loja Labrador, hoje, em Lisboa, assinala o regresso da marca portuguesa de roupa e acessórios para homem, depois de, em 2011, ter entrado em insolvência. O relançamento representa um investimento de 500 mil euros e acontece pelas mãos de José Luís Pinto Basto, presidente-executivo do The Edge Group, que no ano passado adquiriu os direitos da marca e o 'stock' que lhe restava em hasta pública. O negócio envolve a 'holding' do grupo mas deixa de fora Miguel Pais do Amaral, sócio do empresário, que não mostrou interesse em participar.

Após um ano a maturar a estratégia para a nova vida da Labrador e de contactos com várias empresas portuguesas do sector têxtil, Pinto Basto constituiu uma sociedade com Jorge Mira, um dos dois fundadores da marca, que entretanto tinha deixado a Labrador para fundar a Devonport, uma marca com as mesmas características mas mais focada na exportação para os mercados anglo-saxónicos (Reino Unido e Estados Unidos). A insígnia é agora detida em partes iguais pelos dois sócios.

Na loja do Centro Comercial das Amoreiras, em Lisboa, que ocupa exactamente o mesmo espaço da primeira loja, fundada em 1991, vão estar à venda produtos com as duas marcas - Labrador e Devonport - até se dar a total integração das marcas.

 

José Luís Pinto Basto (em cima) revela ao Diário Económico que o objectivo é "garantir o crescimento sustentável no mercado interno e dar resposta ao que era o mercado tradicional da marca". Por isso, a expansão deverá passar inicialmente pela abertura já este ano de uma segunda loja no Porto, no centro comercial Península, preferencialmente na mesma localização onde já existiu uma loja Labrador .

O novo proprietário coloca no horizonte uma facturação anual de 3,5 milhões de euros, com base nas duas lojas mas deixa claro que o cumprimento desse objectivo dependerá sempre da evolução da conjuntura económica e do seu impacto no consumo interno e não será atingido antes do terceiro ano. No entanto, defende que há um conjunto de consumidores que não encontraram no mercado alternativa à Labrador e que, por isso, estão dispostos a voltar comprar nas suas lojas.

Quanto à internacionalização, Pinto Basto revela que está nos planos dos dois sócios mas não é para já. "O foco é crescer em Portugal, mas mais tarde podemos entrar noutros mercados aproveitando a experiência da Devonport lá fora", refere o empresário, lembrando que, no passado, a incursão da marca no mercado espanhol - tendo chegado a ter lojas em Madrid - não foi bem sucedida.

A ideia é manter a totalidade da confecção das colecções nas mãos das fábricas nacionais de têxtil localizadas na região Centro e Norte do País, ainda que alguma matéria-prima possa ser importada, como por exemplo os tecidos italianos que são utilizados.

Antes do processo de insolvência dar entrada no Tribunal de Comércio de Lisboa, no valor de 2,52 milhões de euros, a marca pertencia ao grupo MGS, que a adquiriu em 2009. Catarina Madeira